Sunday, June 3, 2007

1º Diálogo - Jen


- Espero que não fiques a pensar mal de mim depois disto.
- Não me vais contar que mataste alguém pois não?
- Não te rias, é a sério. Sabes qual é o meu trabalho.. vou chamar as coisas pelos nomes, eu sou uma prostituta.
- Hmm.. Sim?
- E então? Não estás chocada?
- Não, era suposto estar?
- Bem, também não me ias dizer na cara. Espero que não contes isto a ninguém.
- Estás parva? Claro que não!
- Pois, isso é o que todos dizem. Eu estou a confiar em ti.
- Obrigada por confiares, não te vou desapontar. Está descansada.
- Ok, obrigada..
- Aah...olha, como é que é?
- Como é que é o quê?
- O que tu fazes, como é que é?
- Ah, isso. Olha, se queres que te diga, já é normal. Quer dizer, ao princípio era horrível, sentia-me suja, tinha vergonha. Todos os dias chorava e pensava se teria mesmo de me submeter àquilo para poder pagar as propinas e tudo. Eu vivo sozinha, sabes que os meus pais morreram. E pronto, não tinha ninguém para conversar, os meus amigos acabaram por me abandonar, alguns não mas sei lá, ficaram diferentes. Às vezes também eu me perguntava porque não tinha um emprego mais "normal", servir à mesa ou entregar pizzas como toda a gente faz. Mas habituei-me.
- E os teus amigos?
- Bem, é claro que tenho amigos mas eles não sabem e eu também não lhes vou dizer. Mas eu sou uma pessoa normal, caraças, a sério que sou. Como, durmo, saio à noite e estudo como todas as pessoas. Não dou na veia nem nada do género, eu tenho uma vida. Só que sou prostituta.
- Eu não te estou a julgar, Jen. Aliás, acho que é preciso coragem para te meteres nisso.
- Não estás a ser cínica?
- Não, não estou. Não vou dizer que também era capaz disso porque não sei se sou, mas também há muita coisa que eu disse que nunca faria e já fiz.
- Eu não estou nisto porque gosto. Mas agora já não me faz confusão, não sinto nada é um bocado como dares beijos no cinema. De vez em quando lá vem um que quer fazer coisas estranhas ou não quer por o preservativo, mas tu sabes, há que pô-los na ordem. Eu sei que há histórias em que as mulheres são agredidas, levam porrada mesmo e até vão para o hospital ou até morrem, mas a mim nunca me aconteceu isso, eu sei ver. Às vezes até faço conversa, alguns até são gajos porreiros e combinamos cafés ou isso. Mas tenho sempre medo que eles conheçam os meus amigos e a fama se espalhe.
- Tens namorado?
- Tive até há algum tempo. Acabámos mas não foi por isto, aliás ele nem sabia. Sabes, isto é uma profissão. E eu faço-o porque preciso. Há quem venda comida, roupa, carros. Eu vendo sexo.

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